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Custo por km: as contas que somem da planilha
Diesel e pedágio todo mundo soma. O que come a margem é o que não aparece no extrato — depreciação, capital parado, retorno vazio e o tempo na doca.
cotavIA · 2 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Pergunte a dez transportadores quanto custa o quilômetro deles. Nove respondem rápido. Quase todos estão respondendo caixa, não custo.
A diferença aparece no fim do ano, quando o caminhão precisa ser trocado e o dinheiro não está lá.
O que quase todo mundo soma
Diesel, pedágio, pneu, manutenção, salário do motorista. É o que sai do bolso e aparece no extrato. Nessa lista o erro costuma ser pequeno, e é de medida: usar o consumo do catálogo em vez do consumo real, ou o preço do diesel do mês passado.
O que some
Depreciação
O caminhão vale menos a cada viagem. Isso é custo da viagem, mesmo sem sair dinheiro nenhum. Um cavalo de R$ 600 mil que vira R$ 400 mil em cinco anos custou R$ 40 mil por ano — e alguém tem que ter cobrado isso nos fretes do período.
Capital parado
Os mesmos R$ 600 mil, se estivessem aplicados, renderiam. Rodando, não rendem. Esse custo de oportunidade é real e some de toda planilha feita à mão. Com a Selic onde ela está, é dinheiro que dá pra sentir.
Retorno vazio
A viagem de ida foi cotada. A volta, quando não tem carga, foi paga por quem? Se a resposta é "pela margem da ida", a margem da ida não é a que você acha que é.
O tempo na doca
Três horas esperando para carregar são três horas de motorista, de caminhão parado e de viagem que não aconteceu. A própria ANTT reconhece isso no CC da tabela de piso — mas na planilha da empresa esse tempo costuma valer zero.
Seguro sobre a nota
RCTR-C, RCF-DC, GRIS e ad valorem andam com o valor da mercadoria, não com a distância. Duas viagens idênticas de São Paulo a Curitiba custam diferente se uma leva R$ 50 mil e a outra R$ 800 mil em nota. Quem cota por km fixo cobra igual pelas duas e perde dinheiro numa delas.
Como isso vira preço errado
Um exemplo com números redondos, só pra mostrar o tamanho do buraco. Carreta, 600 km de ida, sem carga na volta:
| Item | Por viagem |
|---|---|
| Diesel, pedágio, pneu, manutenção | R$ 2.800 |
| Motorista com encargos | R$ 900 |
| Subtotal que quase todo mundo soma | R$ 3.700 |
| Depreciação e capital | R$ 620 |
| Retorno vazio (combustível e tempo) | R$ 980 |
| Seguro sobre a nota | R$ 340 |
| Custo de verdade | R$ 5.640 |
Quem cotou R$ 4.400 achou que estava com 19% de margem. Estava R$ 1.240 no prejuízo, e só ia descobrir no dia de trocar o caminhão.
Os valores acima são ilustrativos. O ponto não é o número: é que a segunda metade da tabela costuma não existir.
O que fazer com isso
Não precisa de planilha nova. Precisa que a conta inclua o que não sai do bolso hoje mas sai depois:
- Separe custo fixo (por hora de caminhão) de custo variável (por km). Viagem parada consome o primeiro e não o segundo.
- Coloque a depreciação e o capital pelo valor atual do veículo, não pelo que você pagou.
- Decida quem paga o retorno vazio antes de cotar, não depois.
- Deixe o seguro seguir a nota, sempre.
A cotavIA faz essa conta com os seus números — o seu caminhão, o seu consumo, os seus custos — e mostra as linhas separadas. Dá pra ver exatamente para onde vai cada real do frete antes de mandar o preço.